Muitas crianças sabem o Pai-Nosso de cor, do começo ao fim, mas quase nenhuma sabe dizer o que está pedindo quando ora. Este artigo mostra o que se perde quando a oração é só decorada e como um álbum de figurinhas pode ajudar a criança a entender, de forma leve e divertida, cada palavra que diz.
Orar no automático
Talvez você já tenha visto esta cena. Na hora de dormir ou nos grupos de evangelização, a criança fecha os olhos, junta as mãos e recita o Pai-Nosso numa só respiração: “painossoqueestásnoscéus…”. Termina em poucos segundos, aliviada por ter acertado tudo.
Ela não fez nada de errado. Fez exatamente o que ensinamos: repetir até saber. Mas, se perguntarmos o que quer dizer “santificado seja o Teu nome” ou o que é “tentação”, a resposta costuma ser um silêncio ou um “não sei”.
Com os adultos, muitas vezes, não é tão diferente. Oramos há anos com a oração mais conhecida do cristianismo, e quantas vezes paramos para pensar no que cada frase pede?
O que perdemos quando só decoramos
Há um detalhe bonito no Evangelho. No Sermão da Montanha, logo antes de ensinar o Pai-Nosso, Jesus alerta para não orarmos com vãs repetições, achando que seremos ouvidos pelo excesso de palavras (Mateus 6,7-13). Em Lucas 11, os discípulos pedem: “Senhor, ensina-nos a orar”. Eles não pediram uma frase para repetir. Pediram para aprender a conversar com Deus.
Quando a oração vira só uma sequência de sons, a criança perde muito:
- O encontro. Orar é conversar com Deus. Sem entender as palavras, a conversa vira um texto recitado para ninguém.
- O caminho para a vida. O Pai-Nosso fala de perdoar, repartir o pão e escolher o bem. São atitudes do dia a dia que a criança só coloca em prática se souber que está pedindo isso.
- A confiança. Chamar Deus de “Pai” é uma das maiores consolações da fé. Uma criança que entende isso sabe que nunca está sozinha.
- O gosto de orar. O que não tem sentido fica chato. Muitas crianças deixam de orar ao crescer porque a oração nunca deixou de ser uma obrigação decorada.
Decorar não é o problema. Saber a oração de cor é um tesouro que acompanha a pessoa a vida toda. O problema é parar aí. A memória guarda as palavras, mas é a compreensão que leva essas palavras para o coração.
Como a criança de 7 a 10 anos aprende
Nessa idade, a criança entende o mundo pelo que é concreto: o que ela vê, toca e vive. O psicólogo Jean Piaget chamou de período das operações concretas a fase que vai, mais ou menos, dos 7 aos 11 anos. Ideias abstratas, como “reino”, “vontade” ou “tentação”, só fazem sentido quando ganham um exemplo da vida real.
Por isso, explicar o Pai-Nosso com conceitos, por mais corretos que sejam, raramente funciona. O que funciona é traduzir cada trecho em uma cena que a criança reconhece:
- “Venha a nós o Teu reino” vira amigos que cuidam uns dos outros no parquinho.
- “Perdoa as nossas ofensas” vira o menino que derramou tinta no desenho da colega e pede desculpas.
- “Não nos deixes cair em tentação” vira a menina que não entra na brincadeira de rir de um colega.
Três coisas ajudam muito nessa fase:
- Imagem. Uma ilustração fica na memória muito mais do que uma explicação falada.
- Mãos ocupadas. Recortar, procurar, encaixar e colar fazem a criança participar, em vez de só ouvir.
- Descoberta. O que a criança descobre sozinha ela guarda melhor do que o que recebe pronto.
O Álbum de Figurinhas Pai-Nosso
Foi pensando nisso que criamos o Álbum de Figurinhas Pai-Nosso, para crianças de 7 a 10 anos. Ele junta três coisas de que as crianças gostam: figurinhas, desenhos e o desafio de completar um álbum.
Como ele funciona:
- A oração foi dividida em 11 trechos, de “Pai nosso que estás nos céus” até “Amém”.
- Cada trecho tem duas figurinhas: uma com as palavras da oração e outra com o seu significado, ilustrado com uma cena do dia a dia. São 22 figurinhas no total.
- A criança recorta as figurinhas, descobre qual significado combina com cada trecho e cola o par lado a lado no álbum.
- No fim, ela encontra a oração completa, uma página para desenhar e outra para escrever a sua própria oração.
Por que ajuda:
- Cada trecho vira uma cena. A criança passa a ligar “o pão nosso de cada dia” a repartir o lanche, e “perdoar” a fazer as pazes com um amigo.
- O par ensina sozinho. Ao procurar o significado certo, a criança lê, compara e pensa. Esse pequeno esforço é o que fixa a ideia.
- Completar dá orgulho. Ver o álbum cheio é uma conquista, e a oração fica ligada a uma lembrança boa.
- É feito para fazer junto. O álbum pede a companhia de um adulto, e a conversa que nasce dele vale tanto quanto as figurinhas.
Trecho por trecho: o que a criança aprende
Estes são os significados que estão nas figurinhas, com uma pergunta para puxar a conversa depois que a criança encontrar cada par.
| Nº | Trecho da oração | O que significa | Pergunta para conversar |
|---|---|---|---|
| 1 | Pai nosso que estás nos céus | Deus é o Pai de todos nós e nos ama onde estivermos. | Se Deus é Pai de todos, o que somos uns dos outros? |
| 2 | Santificado seja o Teu nome | Mostramos amor e respeito por Deus quando fazemos o bem. | Que coisa boa você fez hoje que deixaria Deus feliz? |
| 3 | Venha a nós o Teu reino | O amor e a paz crescem entre nós quando cuidamos uns dos outros. | Onde você já viu um pedacinho desse reino acontecer? |
| 4 | Seja feita a Tua vontade | Seguir os ensinamentos de Deus é escolher o bem. | Lembra de uma vez em que foi difícil escolher o certo? |
| 5 | Assim na terra como no céu | Que o bem seja vivido na Terra e no mundo espiritual. | Como seria o mundo se todos fizessem o bem? |
| 6 | O pão nosso de cada dia nos dá hoje | Pedimos o necessário para viver e aprendemos a repartir. | Por que a oração diz “pão nosso” e não “pão meu”? |
| 7 | Perdoa as nossas ofensas | Pedimos perdão, reconhecemos nossos erros e procuramos repará-los. | Como a gente pode consertar um erro, além de pedir desculpas? |
| 8 | Assim como perdoamos aos nossos ofensores | Perdoar é não alimentar a raiva nem querer se vingar. | Como você se sente quando faz as pazes com alguém? |
| 9 | Não nos deixes cair em tentação | Pedimos força para resistir à vontade de fazer o que é errado. | O que te ajuda a dizer “não” quando os amigos querem fazer algo errado? |
| 10 | Livra-nos do mal | Pedimos proteção e ajuda para afastar o que nos faz mal. | Com quem você pode conversar quando algo te faz mal? |
| 11 | Amém | Assim seja! Confiamos em Deus e queremos viver o que pedimos. | Qual parte da oração você quer viver esta semana? |
Repare que a oração tem duas partes. Os trechos 1 a 5 olham para Deus: quem Ele é e o que desejamos para o mundo. Os trechos 6 a 10 olham para nós: o que precisamos para viver bem. Contar isso à criança ajuda a ver a oração como um caminho, e não como uma lista solta de frases.
Como usar em casa ou nos grupos de evangelização
O segredo é não entregar a resposta pronta. Deixe a criança pensar, errar e descobrir.
- Recorte e misture. Recorte as figurinhas antes e embaralhe os significados. Assim a criança não vê os pares já prontos na folha.
- Leia o trecho junto. Leia em voz alta e pergunte: “O que você acha que essa parte quer dizer?”. Escute sem corrigir de imediato.
- Deixe procurar. A criança olha os desenhos e as frases e escolhe o significado que combina. Se ela errar, pergunte o porquê da escolha antes de explicar.
- Dê pistas, não respostas. Em vez de dizer “é este”, diga algo como “procure uma figurinha em que alguém está dividindo alguma coisa”.
- Cole e converse. Com o par certo, a criança cola as figurinhas lado a lado. Aproveite a pergunta da tabela acima para ligar o trecho à vida dela.
- Ore o que aprendeu. No fim de cada encontro, orem juntos a oração inteira, devagar, parando um instante no trecho do dia.
Ideias para ir além:
- Um par por dia. Em 11 dias, a criança completa o álbum e ora um trecho novo a cada noite com mais atenção.
- Jogo da memória. Com uma segunda cópia das figurinhas, vire todas para baixo e encontre os pares. É ótimo para grupos de evangelização.
- A oração com as próprias palavras. Ao terminar, peça que a criança escreva ou desenhe a sua oração nas últimas páginas do álbum.
Guarde o gabarito com você e use só em caso de dúvida. A conversa que nasce da dúvida da criança é justamente onde o aprendizado acontece.
Mais que saber de cor, saber de coração
Em português, “saber de cor” vem do latim cor, que quer dizer coração. Antigamente, acreditava-se que era no coração que guardávamos o que aprendíamos. Que bonito seria se o Pai-Nosso fosse sabido de cor nesse sentido: guardado no coração, e não só na memória.
Uma criança que entende o que ora ganha mais do que uma oração. Ganha um jeito de olhar para Deus como Pai, para os outros como irmãos e para a própria vida como um lugar onde o bem pode acontecer todos os dias.
Baixe o Álbum de Figurinhas Pai-Nosso
O material é gratuito, para imprimir, e vem com:
- o álbum em duas versões: livreto frente e verso ou folhas impressas de um lado só para dobrar e colar;
- as 22 figurinhas em tamanho real;
- as instruções de impressão e montagem, com o gabarito para o adulto.
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Depois conte para a gente: qual trecho do Pai-Nosso mais tocou o coração da sua criança?

